O São Paulo anunciou uma parceria com a Ticketmaster para integrar sua bilheteria e o programa Sócio Torcedor em uma única plataforma digital. A colaboração, que começa a operar em 1º de janeiro de 2027, garantirá um aporte antecipado de R$ 140 milhões, destinado a quitar dívidas com o elenco profissional.

Com essa quantia, o clube busca resolver quatro meses de atraso no pagamento dos direitos de imagem dos jogadores. O valor, que operará como um empréstimo, inclui R$ 110 milhões que poderão ser utilizados livremente, liberados 45 dias após a assinatura do contrato. Essa quantia será devolvida à Ticketmaster ao longo de cinco anos, com juros atrelados ao CDI mais 1,99%.

Além disso, a Ticketmaster pagará R$ 30 milhões pelo uso de um camarote no estádio e investirá R$ 6 milhões na reforma do museu do clube. Um detalhe importante do acordo é que o São Paulo devolverá à Ticketmaster um teto máximo de R$ 1,8 milhão por mês, independentemente da arrecadação com bilheteiras, mesmo em períodos de baixa receita, como durante a Copa do Mundo.

A migração do programa de sócios está condicionada à rescisão do contrato com a Feng, que atualmente administra o serviço. O clube estima que essa rescisão custará R$ 3,7 milhões, mas acredita que a mudança trará economia e melhorará a experiência dos torcedores.

O acordo também prevê a renovação do Memorial Luiz Cássio dos Santos Werneck, que conta a história do clube, com curadoria do próprio São Paulo. A nova estrutura busca fortalecer a relação com os torcedores durante os jogos e em outras atividades.

A situação financeira do São Paulo reflete um desafio maior enfrentado pelos clubes brasileiros em 2026, onde a antecipação de receitas se tornou uma prática comum para lidar com atrasos salariais. Essa estratégia, no entanto, compromete o caixa futuro, uma vez que parte da arrecadação com bilhetes estará vinculada ao pagamento do adiantamento.